8 de fev de 2010

Faça lá um Poema!

Para comemorar o Dia Mundial da Poesia em 2010 o Plano Nacional de Leitura e o Centro Cultural de Belém lançaram um desafio às escolas convidando-os a participar num concurso da poesia incentivando o gosto pela leitura e pela escrita de poesia.
Transcrevemos os textos dos nossos poetas:




Mariana Rocha 6ºC, nº 15




Leonor Crespo Nunes, 6ºC, nº 13

Num segundo

Num segundo uma flor a murchar
Num segundo um rio a secar
A cada segundo
Algo vai acabar

Num segundo uma pessoa morre
Num segundo outra nasce
Num segundo outra envelhece
Num segundo outra cresce

Num segundo somos crianças
Num segundo somos adultos
Num segundo temos uma vida
Num segundo não temos nada

Num segundo uma criança a sofrer
Sem ninguém se aperceber
Não precisas de procurar
Basta apenas olhar

Num segundo decidimos
Tudo aquilo que fingimos
O que vamos agir ou dizer
Para o nosso caminho se fazer.

Um Livro

Uma vida
é uma história
vivida e sofrida
o índice é a memória
da nossa vida

Um capítulo, uma pausa,
ou apenas um parágrafo,
um assunto encerrado ou
para não ser relembrado

Só há uma diferença ou
talvez uma parecença
não sei como explicar
vou apenas tentar

Um livro é desejado,
estimado,
um coração pode ser roubado
e magoado.
Mas se por um lado um livro é estragado e inutilizado,
o coração é amado e abraçado.

Por isso vou finalizar
com um verso inacabado.
Um livro não pode ser esquecido
e muito menos comparado
O coração é um órgão
não apenas preciso para viver
mas também para amar, respeitar, acarinhar
e às vezes sofrer!


Uma verdade

Um riso
Uma verdade
Um guizo da sinceridade

Não é um animal
Nem uma história
Não faz mal
Tem uma boa memória

É linda e natural
Impossível de ignorar
Carinhosa e leal
Um monstro é aquele que a magoar

Ensina a ser
Outra vez pequeno
A descer
A um mundo sereno

Esse ser é uma criança
Sincera, honesta e doce
Vemos a sua infância
Como se a nossa fosse

Devemo-la cuidar
Dar todo o carinho do mundo
Ajudá-la no que precisar
E nas dificuldades que encontrar

Nunca lhe virarmos as costas
Temos esse dever
Não pode ser ignorado
Nem trocado
Porque não estamos a falar de um boneco
Mas sim de um ser humano
Que sofre com o que escolhemos
E no futuro será aquilo que lhe damos.


Patrícia Isabel Cesário Ramos - 7ºano

Se eu fosse

Se eu fosse Bombeiro
Apagava os fogos do mundo
E era o mais rápido
Fá-lo-ia num segundo!

Se eu fosse Bombeiro
Honrava a minha farda
Pois ela é tão linda
Até tem cor encarnada!

Se eu fosse Bombeiro
Só ardiam os corações
Pois este fogo
é bom, provoca muitas emoções!

Se eu fosse Bombeiro
Protegia a Natureza
Ela é muito importante
E é de extrema Beleza.


Marco Nuno Correia Duarte Meneses da Rocha - 5º ano





As minhas amigas árvores
Eu espero que as árvores cresçam.
Adormeço com elas todas as noites, embalada pela sua sombra.
Lembro-me delas sobre a relva verde. Lembro-me das suas folhas caindo na noite.
Mesmo as que ainda não vi espero que cresçam.
São elas que nos dão a vida, estão sempre presentes.
Deitam um cheirinho bom…
Lenha que algumas nos dão para nos aquecer quando mais precisamos.
Dão-nos a alegria desse dia cheio de magia…
Eu espero que a Primavera chegue depressa e as árvores nos inundem com belas flores.
Flores mágicas e coloridas…
É a felicidade absoluta.

Carolina Mendes Custódio – 6º B, nº 7



Sombra, minha amiga

Mirava a minha alma, tão nua e tão ausente
Quando a luz me lembra quem esteve sempre presente
Executas cada movimento meu com uma precisão inigualável
A tua fidelidade é de todas a mais louvável
A tua escuridão e o teu mistério a muitos causaram temor
A mim provocas-me fascínio e, quem sabe, talvez amor.

De tanta subtileza, quase nem dei por ti
Perdoa-me, companheira, pela atenção que não mereci
Redimida dos meus erros, o sol gosto de ver nascer
Só para olhar para o chão e ter o prazer de te ver
Mas o encontro não é eterno, e o anoitecer está a chegar
Despeço-me não para sempre, só até o sol raiar.


O Perfume

Uma suave fragrância
Uma delicada essência
Toque da minha elegância
Sinal da minha inocência

Perfume esculpido com o aroma da perfeição
Perfume feito de partículas de pureza
O cheiro que só cheira o meu coração
O cheiro que me espanta a tristeza

Este aroma para lá da realidade
É parte da minha natureza inexplicável
Não tem cor, nem sabor, nem idade
Contudo possui algo de adorável.

Que será isto que não consigo explicar?
Será que me estou a apaixonar?
Amor…não deve ser não?!
Pois este é o perfume do meu coração.

Solidão
A casa estava cheia, mas só eu lá morava
A festa era barulhenta, mas o silêncio pairava
A mesa estava recheada, mas só o meu prato restava

Ontem, era rei, rodeado de traidores, na minha mansão
Hoje sou miserável, inevitavelmente acorrentado à solidão

O meu corpo está presente; todavia o meu espírito vagueia no além
É isso! Transformei-me no vazio, no nada, no ninguém

Sou uma memória perdida, que num suspiro o tempo levou
A minha identidade foi apagada; já nem sei quem sou

Como é que os outros podem lembrar aquilo que esqueci?
Nunca estive abandonado, a solidão esteve sempre aqui.

Catarina Sofia Micaelo Fernandes - 9ºano


A Árvore Poeta

A árvore Poeta
enche-se de poesia,
quando a lua cai
e o sol brilha.

Os raios de sol
iluminavam-na
de calor,
e alegria.

Ela declama poemas
de Camões,
e Fernando Pessoa,

Então e os meus?

A árvore não os escolheu,
porque sou aprendiz,
mas foi só por um triz,
que lhe via a raiz,
e descobria
o mistério
dos seus poemas.

E cada vez que crescia
escrevia um verso
que ficava gravado
no Tempo.

Diogo Junho, 4ºA




A Árvore dos Poetas

A árvore cantava a Poesia
o Poeta a ouvia
a árvore começou a ler,
enquanto
o Poeta andava a escrever.

A árvore e a Poesia
eram uma alegria
o Poeta inspirado
lia e escrevia.

E quando,
o Poeta já reformado,
a árvore morria
se chamava o dia
e era
o enterro da Poesia.

Andreia Sofia Fernandes, 4ºA






O Cheiro da Poesia


A Poesia é o evento da Natureza
e a sua árvore
a mais bela.
A árvore tem o cheiro da Poesia
e a Poesia
são os sonhos
que os Poetas imaginam
a Poesia fascina-me os olhos
a árvore dá-me um cheiro encantador.
A Poesia e a árvore não são
quaisquer coisas,
são valiosas
e têm harmonia.
a Poesia são papéis escritos
que a árvore fez do seu tronco.
a árvore é um verde imaginante
Poesia é
um cintilante Poeta.

Miguel Morais, 4ºA


Um comentário:

Nélia disse...

Parabéns à Catarina e à sua "Solidão". É belo! Tens uma grande riqueza dentro de ti, com ela nunca estarás só.
A professora amiga e admiradora
Nélia Salema